Pular para o conteúdo principal

Justiça impede Prefeitura de Pindamonhangaba de trocar empresa que opera o SAMU: entenda o que está acontecendo



 A Prefeitura de Pindamonhangaba tentou rescindir o contrato com a empresa C.A.P. Serviços Médicos Ltda., responsável pela operação do SAMU 192 no município. A decisão foi motivada por diversas falhas graves que, segundo a administração municipal, comprometem a qualidade do serviço prestado à população.


Entre os principais problemas apontados pela Prefeitura estão:


Atrasos e irregularidades no fornecimento de medicamentos;


Falta de insumos essenciais para o funcionamento do serviço;


Manutenção preventiva e corretiva ausente nos equipamentos e viaturas;


Atraso no pagamento de salários e encargos trabalhistas dos profissionais vinculados à empresa;


Dívidas da empresa com prestadores de serviço locais, incluindo oficinas mecânicas;


Ausência de oferta de educação continuada aos profissionais;


Reincidência de falhas já notificadas anteriormente, mesmo após reuniões e promessas de correção;


Processos trabalhistas movidos por funcionários, com alegações de irregularidades no ambiente de trabalho e falta de pagamento de verbas;


Prejuízo ao erário público, obrigando o município a deslocar servidores, medicamentos e equipamentos próprios para não interromper o atendimento.



Diante dessas irregularidades, a Prefeitura decidiu romper o Contrato n.º 040/2023 de forma unilateral e iniciar uma contratação emergencial com outra empresa para manter a continuidade do serviço.

No entanto, a empresa não aceitou a rescisão e entrou na Justiça com um mandado de segurança (Processo nº 2147877-36.2025.8.26.0000) pedindo que a decisão da Prefeitura fosse suspensa.


Justiça decide a favor da empresa — por enquanto


Em 19 de maio de 2025, a juíza de primeira instância deu ganho de causa provisório à empresa, concedendo uma liminar (decisão temporária) que:


Suspende os efeitos da rescisão contratual feita pela Prefeitura;


Impede que o município firme contrato emergencial com outra empresa;


Determina que a C.A.P. continue operando o SAMU 192, nas mesmas condições do contrato anterior, até uma decisão definitiva no processo.


Prefeitura recorre, mas processo será decidido por outro grupo de desembargadores


A Prefeitura entrou com um recurso (agravo de instrumento) para tentar reverter essa decisão liminar. No entanto, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo ainda não analisou o mérito do recurso. Isso porque já existe um outro processo anterior discutindo o mesmo contrato (Agravo nº 2063192-96.2025.8.26.0000), que está sob responsabilidade de outro grupo de desembargadores — a Segunda Câmara de Direito Público.


De acordo com o artigo 105 do Regimento Interno do TJ-SP, esse grupo tem preferência (prevenção) para julgar todos os recursos relacionados a esse mesmo contrato, com o objetivo de evitar decisões contraditórias. Por isso, o novo recurso foi redirecionado ao relator do caso anterior, o desembargador Carlos Von Adamek.


O que vale neste momento?


Enquanto o Tribunal não tomar uma nova decisão, a empresa C.A.P. Serviços Médicos Ltda. continua legalmente responsável pelo SAMU 192 em Pindamonhangaba. A Prefeitura, mesmo tendo alegado sérias falhas na execução do contrato, está impedida de substituí-la por outra empresa.


A liminar concedida em primeira instância segue válida até que a Segunda Câmara de Direito Público julgue o recurso principal e defina se a decisão será mantida ou revertida.



Processo: 2147877-36.2025.8.26.0000

Data da decisão: 19 de maio de 2025



Gustavo Felipe Cotta Tótaro - clicar aqui

Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia de Pindamonhangaba/SP    

Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araujo de Pindamonhangaba/SP

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RISCO MÁXIMO EM PINDA: O TCE-SP alerta a dois meses do fim do primeiro ano de Ricardo Piorino.

  Risco Máximo em Pindamonhangaba: O TCE-SP Alerta a Dois Meses do Fim do Primeiro Ano de Ricardo Piorino O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) soltou um alerta de peso contra a gestão do prefeito Ricardo Alberto Pereira Piorino , a apenas dois meses de ele completar seu primeiro ano de mandato. A notificação, datada de 02/10/2025, não é apenas um aviso: é um sinal de que as contas de Pindamonhangaba estão fora de controle, violando leis federais e podendo levar a punições severas, incluindo a perda do mandato. Os números apresentados pelo TCE demonstram uma péssima administração . A situação não se resume apenas à baixa arrecadação pontual. Ela reflete a continuidade de um grupo político que, ao longo do tempo, tem levado Pindamonhangaba a patamares de rombo nas contas públicas jamais alcançados . O relatório é a prova de que a falta de planejamento e os gastos no passado sem critérios , sem pensar no futuro da cidade, estão resultando em uma crise fiscal profund...

Prefeitura de Pindamonhangaba decreta emergência em saúde pública.

  Hoje, a Prefeitura de Pindamonhangaba publicou o Decreto nº 6.870 , que declara Situação de Emergência em Saúde Pública no município. O documento foi assinado pelo prefeito Ricardo Piorino e tem validade de 180 dias. A decisão se deu após o aumento expressivo de atendimentos por doenças respiratórias graves em unidades de saúde da cidade e da região. Apesar da gravidade da situação, a Prefeitura não realizou coletiva de imprensa, não apresentou o relatório técnico que embasa a medida e não comunicou à população como se prevenir ou proceder em caso de sintomas . Até agora, a única ação visível foi a publicação discreta do decreto. O aumento de casos está associado à circulação de vários vírus respiratórios, identificados principalmente em crianças internadas: SARS-CoV-2 (Covid-19): Pode causar febre, tosse, fadiga, e em casos graves, insuficiência respiratória. Vírus Sincicial Respiratório (VSR): Afeta principalmente bebês e crianças pequenas, podendo evoluir para bronqui...

Moradores de Pinda vão pagar taxa para entrar em Campos do Jordão

 A aprovação por unanimidade da Taxa de Preservação Ambiental (TPAM) pela Câmara Municipal de Campos do Jordão, nesta segunda-feira (25), representa mais um capítulo na crescente tensão entre municípios vizinhos do Vale do Paraíba. O Projeto de Lei Complementar nº 32/2025, que estabelece cobrança diária para veículos licenciados fora da cidade, impactará diretamente os moradores de Pindamonhangaba, evidenciando uma preocupante falta de articulação política regional. Uma decisão que ignora laços históricos A medida aprovada pelos 12 vereadores presentes demonstra uma visão míope que desconsidera os profundos vínculos históricos entre as duas cidades. Campos do Jordão foi literalmente defendida por pindamonhangabenses em momentos cruciais de sua história, e essa conexão vai muito além de simples proximidade geográfica. A exclusão de Pindamonhangaba da lista de cidades isentas que contempla Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, Piranguçu, Brasópolis e Wenceslau Brás represent...