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Pindamonhangaba: prejuízo de mais de R$ 180 mil aos cofres públicos, TCE-SP julgou irregular .

 


O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) julgou irregular a execução do contrato firmado entre a Prefeitura de Pindamonhangaba e a empresa Luiz Viana Transportes Ltda. O acordo, que previa a locação de veículos para diversos setores da administração pública municipal, apresentou várias falhas na sua gestão e execução, resultando em um prejuízo significativo para o erário público.

Aqui está uma análise detalhada das irregularidades apontadas:

1. Falta de controle na execução contratual

O TCE constatou que a Prefeitura de Pindamonhangaba não adotou um controle adequado sobre o contrato, o que resultou em sérios problemas durante sua execução. A fiscalização deficiente fez com que a administração não tivesse clareza sobre o uso dos recursos contratados, permitindo que os veículos fossem locados sem uma supervisão eficaz. Essa fragilidade no controle gerou um cenário de desorganização e abriu espaço para a má gestão do dinheiro público.

2. Pagamento por serviços não prestados

Entre dezembro de 2018 e julho de 2019, a Prefeitura pagou R$ 180.600,60 à empresa Luiz Viana Transportes Ltda, referente à locação de veículos que nunca foram utilizados. Isso ocorreu porque a administração municipal não conseguiu renovar em tempo hábil o convênio com a Polícia Militar do Estado de São Paulo, que era essencial para a utilização desses veículos no programa de "atividade delegada", que permite que policiais atuem em horários de folga para reforçar a segurança pública.

Devido a essa falha, mesmo sem o uso dos veículos, a Prefeitura manteve os pagamentos à empresa, configurando um claro desperdício de recursos públicos. O valor de R$ 180 mil, pago ao longo de seis meses, foi destinado a um serviço que não gerou nenhum benefício à cidade ou à população, caracterizando dano ao erário.

3. Saldo de empenho pendente

Outra irregularidade encontrada foi a existência de um saldo de R$ 112.292,05 que não foi devidamente cancelado pela administração. Esse saldo refere-se a valores empenhados no orçamento para o pagamento dos serviços, mas que não foram liquidados. A ausência de comprovação do cancelamento desse saldo indica uma falha grave no controle orçamentário da Prefeitura, levantando dúvidas sobre a correta alocação dos recursos públicos.

4. Falta de planejamento e gestão ineficiente

O Tribunal também destacou a falta de planejamento da Prefeitura ao lidar com a renovação do convênio com a Polícia Militar. Embora o convênio estivesse previsto para expirar em 26 de dezembro de 2018, a Prefeitura só enviou a solicitação de renovação dias antes dessa data, em 12 de dezembro. Esse atraso comprometeu a continuidade do programa, deixando os veículos locados sem função.

A falta de planejamento gerou um problema de gestão, já que a administração municipal continuou pagando pela locação de veículos que não foram utilizados durante seis meses. Isso demonstra uma ineficiência administrativa, que custou caro aos cofres públicos e privou a população dos benefícios que esses recursos poderiam ter proporcionado se bem utilizados.

5. Ressarcimento ao erário em ritmo insatisfatório

Após a constatação do pagamento indevido, a Prefeitura firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o responsável, o então Secretário de Segurança Pública de Pindamonhangaba, José Sodário Viana. O acordo previa o ressarcimento do valor de R$ 180.600,60, dividido em 60 parcelas de R$ 3.010,01, a serem pagas entre fevereiro de 2020 e janeiro de 2025.

No entanto, o TCE apontou que até maio de 2024, apenas seis parcelas haviam sido quitadas, demonstrando um descumprimento do acordo. Esse atraso na devolução do dinheiro prejudica ainda mais a administração pública, que fica sem os recursos necessários para investimentos em outras áreas essenciais.

6. Decisão final do Tribunal de Contas

Diante dessas falhas graves, o TCE-SP concluiu que o contrato de locação de veículos, celebrado entre a Prefeitura de Pindamonhangaba e a empresa Luiz Viana Transportes Ltda, foi executado de forma irregular. O Tribunal ressaltou que a administração pública foi ineficiente tanto na gestão do contrato quanto na recuperação dos valores pagos indevidamente.

A decisão determinou que a Prefeitura deve adotar medidas para corrigir as falhas encontradas, além de apresentar um plano de ação ao Tribunal detalhando como pretende evitar que situações semelhantes ocorram no futuro. O atual chefe do Executivo municipal foi notificado e terá um prazo de 60 dias para informar as providências tomadas.

Impacto para a população e para os cofres públicos

O valor desperdiçado poderia ter sido utilizado para melhorar a qualidade dos serviços prestados à população, como na área da saúde, educação ou infraestrutura urbana. A ausência de uma gestão eficaz dos recursos públicos não só compromete a execução de políticas públicas, mas também afeta diretamente o bem-estar dos cidadãos, que acabam sofrendo com a falta de investimentos essenciais.

Com essa decisão, o TCE espera que a Prefeitura de Pindamonhangaba adote medidas mais rigorosas de controle e planejamento, a fim de garantir que os recursos municipais sejam aplicados de forma eficiente e responsável, evitando novos prejuízos.

A necessidade de renovação da Câmara de Vereadores

Além dos problemas apontados na execução do contrato, chama a atenção o fato de que a Câmara de Vereadores de Pindamonhangaba, que tem como uma de suas principais funções a fiscalização do Executivo, não atuou de forma eficaz na cobrança pela devolução dos recursos públicos em sua totalidade. A falta de ação dos vereadores no monitoramento e na exigência de que os valores fossem ressarcidos demonstra uma possível prevaricação de suas funções, deixando de lado o compromisso com a fiscalização dos atos da administração municipal.

Diante desse cenário, torna-se fundamental a renovação da Câmara de Vereadores para garantir que os representantes eleitos estejam comprometidos em cumprir seu papel fiscalizador e proteger os interesses da população. A fiscalização eficiente dos recursos públicos é essencial para garantir que casos como esse não se repitam e que o dinheiro dos cidadãos seja aplicado de maneira correta e transparente​.













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