Pular para o conteúdo principal

Capina elétrica bancada com verba do trânsito escancara desvio de finalidade e omissão da Câmara de Pindamonhangaba


 No mês de março de 2025, a Prefeitura de Pindamonhangaba iniciou a divulgação de uma nova experiência nos serviços de zeladoria urbana: a chamada capina elétrica. A ação, que começou pelos bairros Mombaça e Jardim Mariana, foi anunciada como uma inovação pelo prefeito Ricardo Piorino e pela Secretaria Municipal de Governo e Serviços Públicos.


O serviço, executado pela empresa GS Ambiental, consiste na utilização de equipamentos que aplicam descargas elétricas controladas de 9 a 12 mil volts sobre o mato em calçadas, guias e áreas públicas, com o objetivo de matar a planta desde a raiz até as sementes. O método é uma alternativa à capina manual e ao uso de herbicidas e, segundo a administração, possui maior eficácia, durabilidade e produtividade.

Apesar de todo o discurso oficial sobre eficiência, o que chama atenção e causa indignação é a origem dos recursos usados para bancar essa contratação. O valor do serviço é de R$ 800.006,40, pago por meio do Fundo Municipal de Trânsito, conforme consta no empenho 4010/2025, datado de 07 de março de 2025.


Esse fundo, que tem como objetivo financiar ações ligadas à mobilidade urbana, segurança no trânsito, sinalização viária e engenharia de tráfego, está sendo usado para um serviço que não tem qualquer relação com a sua finalidade. A capina elétrica não é um método comum ou convencional nas cidades brasileiras e muito menos se enquadra como despesa de trânsito.

Além disso, a contratação foi feita sob a justificativa de solicitação da Secretaria de Governo e Serviços Públicos, o que deixa ainda mais evidente o uso inadequado da verba. A despesa está registrada como parte do programa “Pinda – Mobilidade com Modernização”, dentro da ação “Engenharia de Campo”, que deveria tratar de melhorias na mobilidade e estrutura viária, e não de jardinagem.

Enquanto isso, a Câmara de Vereadores segue ausente de seu papel fiscalizador. Nenhum questionamento foi feito, nenhum pedido de esclarecimento foi apresentado, mais uma vez confirmando a sua história como uma das piores fiscalizadoras de recursos públicos que Pindamonhangaba já teve.

Em vez de garantir que o dinheiro do trânsito seja investido para melhorar a sinalização, organizar o tráfego ou garantir segurança para motoristas e pedestres, os vereadores fecham os olhos para o mau uso do recurso. A capina elétrica pode até ser eficiente, mas o seu financiamento está longe de ser transparente e legal.

Se a Prefeitura deseja inovar, que o faça com responsabilidade e com os recursos certos. O que não pode é tirar dinheiro de uma área essencial como o trânsito para financiar uma experiência cara e fora de lugar. Pindamonhangaba não pode aceitar que a modernização venha acompanhada de distorção orçamentária.

Diante dos fatos, estarei acionando os órgãos de controle e fiscalização, como o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e o Tribunal de Contas, para que apurem esse possível desvio de finalidade e garantam a correta aplicação dos recursos públicos.



Gustavo Felipe Cotta Tótaro - clicar aqui

Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia de Pindamonhangaba/SP    
Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araujo de Pindamonhangaba/SP

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RISCO MÁXIMO EM PINDA: O TCE-SP alerta a dois meses do fim do primeiro ano de Ricardo Piorino.

  Risco Máximo em Pindamonhangaba: O TCE-SP Alerta a Dois Meses do Fim do Primeiro Ano de Ricardo Piorino O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) soltou um alerta de peso contra a gestão do prefeito Ricardo Alberto Pereira Piorino , a apenas dois meses de ele completar seu primeiro ano de mandato. A notificação, datada de 02/10/2025, não é apenas um aviso: é um sinal de que as contas de Pindamonhangaba estão fora de controle, violando leis federais e podendo levar a punições severas, incluindo a perda do mandato. Os números apresentados pelo TCE demonstram uma péssima administração . A situação não se resume apenas à baixa arrecadação pontual. Ela reflete a continuidade de um grupo político que, ao longo do tempo, tem levado Pindamonhangaba a patamares de rombo nas contas públicas jamais alcançados . O relatório é a prova de que a falta de planejamento e os gastos no passado sem critérios , sem pensar no futuro da cidade, estão resultando em uma crise fiscal profund...

Prefeitura de Pindamonhangaba decreta emergência em saúde pública.

  Hoje, a Prefeitura de Pindamonhangaba publicou o Decreto nº 6.870 , que declara Situação de Emergência em Saúde Pública no município. O documento foi assinado pelo prefeito Ricardo Piorino e tem validade de 180 dias. A decisão se deu após o aumento expressivo de atendimentos por doenças respiratórias graves em unidades de saúde da cidade e da região. Apesar da gravidade da situação, a Prefeitura não realizou coletiva de imprensa, não apresentou o relatório técnico que embasa a medida e não comunicou à população como se prevenir ou proceder em caso de sintomas . Até agora, a única ação visível foi a publicação discreta do decreto. O aumento de casos está associado à circulação de vários vírus respiratórios, identificados principalmente em crianças internadas: SARS-CoV-2 (Covid-19): Pode causar febre, tosse, fadiga, e em casos graves, insuficiência respiratória. Vírus Sincicial Respiratório (VSR): Afeta principalmente bebês e crianças pequenas, podendo evoluir para bronqui...

Moradores de Pinda vão pagar taxa para entrar em Campos do Jordão

 A aprovação por unanimidade da Taxa de Preservação Ambiental (TPAM) pela Câmara Municipal de Campos do Jordão, nesta segunda-feira (25), representa mais um capítulo na crescente tensão entre municípios vizinhos do Vale do Paraíba. O Projeto de Lei Complementar nº 32/2025, que estabelece cobrança diária para veículos licenciados fora da cidade, impactará diretamente os moradores de Pindamonhangaba, evidenciando uma preocupante falta de articulação política regional. Uma decisão que ignora laços históricos A medida aprovada pelos 12 vereadores presentes demonstra uma visão míope que desconsidera os profundos vínculos históricos entre as duas cidades. Campos do Jordão foi literalmente defendida por pindamonhangabenses em momentos cruciais de sua história, e essa conexão vai muito além de simples proximidade geográfica. A exclusão de Pindamonhangaba da lista de cidades isentas que contempla Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, Piranguçu, Brasópolis e Wenceslau Brás represent...