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Estação Eugênio Lefévre: patrimônio de Pindamonhangaba na Serra da Mantiqueira


 A Estação Eugênio Lefévre é uma das joias da Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ), localizada em Pindamonhangaba, a 1.162 metros de altitude. Foi inaugurada em 1916 e recebeu esse nome em homenagem ao engenheiro ferroviário Eugênio Lefévre, que participou do projeto de uma ferrovia que ligaria Mogi das Cruzes ao porto de São Sebastião, mas que nunca chegou a ser construída.


A ferrovia foi idealizada com o objetivo de transportar pacientes com tuberculose até os sanatórios de Campos do Jordão, reduzindo o tempo e o sofrimento da antiga viagem feita no lombo de mulas. O projeto teve como idealizadores os médicos sanitaristas Emílio Ribas e Victor Godinho.


Em 2014, a estação passou por um importante processo de restauração realizado pela EFCJ. Foram recuperadas a alvenaria externa e o piso da plataforma, e os sanitários adaptados para pessoas com deficiência foram reativados, garantindo mais acessibilidade e conforto aos visitantes.


Um atrativo que chama a atenção de quem visita a região é o Mirante de Nossa Senhora Auxiliadora, instalado às margens da ferrovia, a cerca de 1.200 metros de altitude. A imagem, com 5 metros de altura e aproximadamente 5 mil quilos, precisou ser transportada em partes até o topo do mirante para ser montada. A doação foi feita pelo Monsenhor João José de Azevedo, que era vigário da Paróquia de Pindamonhangaba entre 1971 e 1972. Do local, é possível avistar dez cidades do Vale do Paraíba: São José dos Campos, Caçapava, Taubaté, Pindamonhangaba, Roseira, Aparecida, Guaratinguetá, Lorena, Canas e Cruzeiro. O mirante fica próximo à estação e oferece uma excelente estrutura para o visitante aproveitar um bom café enquanto aprecia a vista.


Sobre a localização da estação, há quem confunda se ela pertence a Pindamonhangaba ou Santo Antônio do Pinhal. No entanto, tanto as cartas cartográficas do Instituto Geográfico e Cartográfico de São Paulo (IGC-SP), órgão responsável pela produção de dados geográficos oficiais do estado, quanto o sistema DataGeo, confirmam que a estação está situada no território de Pindamonhangaba.





Uma história compartilhada na Serra da Mantiqueira


Santo Antônio do Pinhal e Pindamonhangaba compartilham mais do que limites geográficos — compartilham raízes históricas profundas. Após o período de presença indígena, bandeirantes, exploração de ouro e escravidão, em 1785 foi concedida a primeira sesmaria no Sertão do Alto do Sapucaí Mirim pela Capitania de São Paulo. Essa região, no entanto, foi alvo de longos conflitos territoriais entre as capitanias de São Paulo (1714) e Minas Gerais (1720). Para os paulistas, o Sertão do Alto da Serra era território seu; para os mineiros, era parte da região de Camanducaia, no alto da Mantiqueira.


Em 1809, mineiros abriram um caminho pela região, então habitada por paulistas oriundos de Pindamonhangaba, donos de antigas sesmarias. O caminho foi logo fechado por ordem do Capitão-Mor Ignácio Marcondes do Amaral. Mas, após um acordo amigável em 1811, foi permitida a abertura da estrada com guarda mantida por São Paulo, num ponto chamado Sertão, em terras de Claro Monteiro do Amaral.


Em paralelo, moradores protegidos por autoridades mineiras ocuparam a área onde hoje fica Sapucaí Mirim, gerando mais conflitos. Em 1813, a Câmara de Pindamonhangaba interveio para garantir a posse das terras a Inácio Caetano Vieira de Carvalho, um dos antigos sesmeiros. O impasse continuou: em 1814, um quartel mineiro foi instalado na serra, mas foi retirado por força da Câmara de Pindamonhangaba e, depois, queimado. Até hoje, o local é lembrado como "Quartel Queimado", registrado em mapas históricos.


Com a estrada aberta em definitivo, a região prosperou. Em 1828, com a criação da Freguesia de São Bento do Sapucaí, as terras do alto da serra passaram a fazer parte dela. Uma importante doação para a Capela de Santo Antônio no local conhecido como Fazenda Pinhal foi feita em 11 de abril de 1856, por Antônio José de Oliveira e sua esposa.


Somente em 1960, após cem anos de dependência, os moradores do então Bairro do Pinhal conquistaram a emancipação de São Bento do Sapucaí. Nascia, então, a cidade de Santo Antônio do Pinhal, que desde então floresceu, ganhando o título de “Charme da Serra”.



Infelizmente, Pindamonhangaba em algum momento do passado optou por seguir uma linha mais industrial, deixando de lado a valorização de sua história e de sua cultura riquíssima, que ainda pulsa viva em seus patrimônios, na sua natureza exuberante e nos trilhos da sua ferrovia centenária. Precisamos urgentemente resgatar tudo isso e tomar posse, de verdade, do que é nosso. Não podemos permitir que aventureiros da política apaguem nossa história. Só assim vamos alçar voos mais altos, com orgulho de onde viemos e com coragem para onde queremos chegar.


Fontes: Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ) – Informações históricas da estação Eugênio Lefévre e suas restaurações.

. Instituto Geográfico e Cartográfico de São Paulo (IGC-SP) e DataGeo – Confirmação oficial de que a estação está localizada em Pindamonhangaba.

 Prefeitura de Santo Antônio do Pinhal e documentos históricos regionais – Informações sobre a história do município e sua relação com Pindamonhangaba.


Gustavo Felipe Cotta Tótaro - clicar aqui

Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia de Pindamonhangaba/SP    

Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araujo de Pindamonhangaba/SP

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