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Estrada de Ferro Campos do Jordão pode ser o elo entre Campos do Jordão, Pindamonhangaba e Aparecida em projeto de interligação turística no Vale do Paraíba


 Um projeto estratégico e tecnicamente viável pode transformar a mobilidade turística do Vale do Paraíba: a interligação ferroviária entre Campos do Jordão, Pindamonhangaba e Aparecida por meio da Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ). Um estudo técnico realizado entre 2021 e 2022 já apontou a viabilidade dessa conexão, que agora ganha nova força diante da abertura de concessão, pelo Governo do Estado de São Paulo, da operação do trecho entre Pindamonhangaba e Campos do Jordão.


Trata-se de uma oportunidade única para ampliar o debate e incluir Aparecida no projeto, formando um eixo turístico completo que reúna cultura, história, fé, natureza e gastronomia com parada estratégica e estruturante em Pindamonhangaba.


O eixo da fé, cultura e natureza sobre trilhos


Campos do Jordão é o principal destino de inverno do país, com mais de 2 milhões de visitantes anuais. Aparecida é o maior polo de turismo religioso da América Latina, atraindo cerca de 14 milhões de romeiros por ano. No centro geográfico entre essas duas potências turísticas está Pindamonhangaba, com uma estrutura ferroviária já existente e ativa, operada pela EFCJ.


A proposta é transformar a ferrovia em um elo integrador, conectando os circuitos da Mantiqueira e do turismo religioso com paradas temáticas e estrutura para receber turistas e romeiros. Pindamonhangaba passaria a funcionar como um hub turístico regional, fortalecendo sua vocação histórica e cultural.


Estudo técnico e concessão abrem caminho


O estudo técnico já realizado demonstra que a interligação ferroviária entre Campos do Jordão e Aparecida, com parada em Pindamonhangaba, é viável do ponto de vista logístico, operacional e turístico. Agora, com o processo de concessão do trecho ferroviário em andamento, é a hora certa de ampliar o leque e inserir Aparecida como destino final, aproveitando a mobilização regional e o interesse do setor privado.


A inclusão de Aparecida potencializa o projeto, oferecendo uma linha que conecta serras, fé e cultura, com grande apelo turístico e econômico.


Compartilhamento de trilhos é modelo consolidado


O uso compartilhado da malha ferroviária entre trens turísticos e de carga já é realidade em diversas regiões do Brasil. Um dos exemplos de sucesso é o Expresso Turístico de Paranapiacaba, que parte da Estação da Luz e percorre trilhos operados pela MRS Logística a mesma concessionária da malha do Vale do Paraíba. Outro caso emblemático é o da Serra Verde Express, entre Curitiba e Morretes, operando em plena Serra do Mar ao lado de trens da Rumo Logística.


O tradicional Trem do Vinho, no Rio Grande do Sul, e a Estrada de Ferro Vitória a Minas, da Vale, também demonstram que é possível e seguro operar transporte de passageiros e de carga na mesma linha. São modelos que reforçam a viabilidade técnica e econômica do projeto no Vale do Paraíba.


Pindamonhangaba como ponto de conexão e desenvolvimento


Pindamonhangaba já conta com operação ferroviária até o distrito de Piracuama, e o projeto de ampliação prevê a inclusão de estações temáticas, gastronômicas e culturais como o Parque Reino das Águas Claras, a Estação Expedicionária (que pode se tornar ponto de apoio aos romeiros da Rota da Luz e Caminho da Fé), e espaços para centros culturais e gastronômicos em outras paradas.


A proposta inclui ainda a criação do “Expresso Religioso”, com saída da Estação da Luz (SP), pernoite em Pindamonhangaba e destino final em Aparecida. A linha poderia oferecer paradas temáticas, roteiros culturais, pacotes turísticos integrados ao setor hoteleiro e gastronômico, além de gerar emprego e renda em todas as cidades envolvidas.


Uma janela de oportunidade para o futuro do turismo regional


A interligação entre Campos do Jordão, Pindamonhangaba e Aparecida por trilhos não é apenas uma proposta de mobilidade: é uma ferramenta de desenvolvimento regional. Resgata o valor das ferrovias, fortalece o turismo sustentável, ativa a economia local e promove a integração cultural e religiosa do Vale do Paraíba.


Com base em estudos já realizados, no momento propício da concessão pública e em experiências nacionais bem-sucedidas, o projeto se mostra mais do que viável: ele é necessário. É hora de unir governo, iniciativa privada e sociedade civil para transformar esse potencial em realidade  e fazer do Vale do Paraíba um novo marco do turismo ferroviário nacional.


PROJETO APARECIDA, PINDAMONHANGABA E CAMPOS DO JORDÃO ( CLICAR AQUI)


Gustavo Felipe Cotta Tótaro - clicar aqui

Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia de Pindamonhangaba/SP    

Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araujo de Pindamonhangaba/SP

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