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Contas de água da Sabesp sobem em 2026, enquanto Pindamonhangaba relembra crise de abastecimento e cobra responsabilidades

 



Desde 1º de janeiro de 2026, os consumidores paulistas pagam mais caro pela água e pelo esgoto. A Sabesp aplica um reajuste de 6,11% em suas tarifas, atingindo residências, comércios e serviços em todo o Estado de São Paulo.

Segundo o Governo do Estado, sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o aumento ocorre no presente ciclo tarifário como uma reposição da inflação acumulada nos últimos 16 meses, sem aumento real. O índice foi definido pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp).

Na prática, para consumidores da tarifa residencial com consumo mensal entre 11 m³ e 20 m³, o valor do metro cúbico de água passa de R$ 6,01 para R$ 6,40. Este é o primeiro reajuste após a privatização da Sabesp, concluída em julho de 2024.

O governo estadual afirma que, no modelo atual, a correção ficou inferior ao que seria aplicado se a empresa permanecesse estatal, e que o cálculo segue o conceito de “tarifa de equilíbrio”, considerando apenas investimentos realizados e auditados pela Arsesp.

No entanto, enquanto a conta aumenta agora, Pindamonhangaba ainda relembra um episódio recente que expõe a fragilidade do serviço: a falta total de água registrada no fim de 2025.

Dezembro de 2025: quando Pindamonhangaba ficou sem água

No final de dezembro de 2025, especialmente a partir do dia 24, moradores dos bairros Araretama e Moreira César enfrentaram uma situação extrema: dias sem qualquer abastecimento de água.

Não se tratou de oscilação ou baixa pressão, mas de interrupção total do serviço, justamente em um dos períodos mais quentes do ano. À época, os canais de atendimento da Sabesp se mostraram ineficientes, enquanto a Prefeitura de Pindamonhangaba permaneceu em silêncio, sem apresentar informações técnicas claras, prazos ou plano de contingência.

A cidade não entrou em recesso. O calor permaneceu intenso, a população vulnerável  e a sensação foi de abandono institucional.

Falta de água em meio ao calor extremo: riscos que não podem ser ignorados

Durante aquele período, o Estado de São Paulo enfrentava recordes sucessivos de temperatura. A ausência de água compromete diretamente a saúde da população.

Entre os riscos registrados estão:

  • Hipertermia e insolação, quando a temperatura corporal ultrapassa níveis críticos;

  • Desidratação severa e crise renal aguda;

  • Risco elevado para idosos, que muitas vezes não percebem a própria desidratação, aumentando as chances de confusão mental, complicações cardíacas e óbitos.

Mesmo diante desse cenário, não houve alertas preventivos nem a criação de um comitê de crise por parte da Prefeitura, especialmente por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural Sustentável e Clima, o que agravou a sensação de desorganização e descaso.

A responsabilidade da Prefeitura não acaba com a privatização

É fundamental esclarecer:
a privatização da Sabesp não retirou da Prefeitura de Pindamonhangaba sua responsabilidade sobre o serviço de saneamento.

O Município continua sendo o titular do serviço, conforme a legislação federal. Isso significa que a Prefeitura divide responsabilidades com a Sabesp e tem o dever legal de fiscalizar, cobrar e agir quando a concessionária falha.

Quando ocorre falta de água em bairros inteiros, cabe ao Executivo municipal:

  • acionar formalmente a Arsesp;

  • exigir explicações técnicas detalhadas da Sabesp;

  • cobrar prazos objetivos e verificáveis;

  • aplicar sanções administrativas, quando cabíveis;

  • informar a população de forma clara e transparente.

A ausência dessas medidas caracteriza omissão administrativa, ainda que o serviço seja prestado por uma empresa privatizada.

Arsesp e a falsa justificativa da “redução de pressão”

A Arsesp é o órgão responsável por regular e fiscalizar os serviços de saneamento nos municípios paulistas.

É importante relembrar um ponto que gerou confusão à época:

A Agência determinou à Sabesp a redução da pressão da água apenas no período noturno (das 19h às 5h) e exclusivamente para a Região Metropolitana de São Paulo, como medida preventiva diante da escassez hídrica.

👉 O Vale do Paraíba, incluindo Pindamonhangaba, não estava incluído nessa determinação.

Durante o dia, o abastecimento deveria ocorrer normalmente. Portanto, a falta total de água registrada em dezembro não encontra respaldo nessa medida, reforçando a necessidade de fiscalização e responsabilização.

Serviço essencial, direito do consumidor e papel do Ministério Público

O fornecimento de água é um serviço essencial, regido pelo princípio da continuidade, conforme o art. 22 do Código de Defesa do Consumidor.

Interrupções prolongadas, sem justificativa técnica clara e sem plano de contingência — como caminhões-pipa para bairros críticos, hospitais e unidades de saúde — configuram falha grave na prestação do serviço.

A população pode e deve registrar reclamações formais.

📞 Canais da Arsesp para denúncias e reclamações
Telefone: 0800 77 16 883
Atendimento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h

CANAIS DE COMUNICAÇÃO DA ARSESP (CLICAR AQUI)

Reajuste no presente, responsabilidade permanente

Enquanto o reajuste da Sabesp está em vigor agora, o episódio de dezembro permanece como alerta. Não se trata apenas de tarifa, mas de qualidade, continuidade e respeito ao consumidor.

A população de Pindamonhangaba espera:

  • transparência da Sabesp;

  • atuação firme da Prefeitura como fiscal do contrato;

  • respostas rápidas em situações de crise.

Água não é favor.
É direito.
É saúde.
É dignidade.


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Gustavo Felipe Cotta Tótaro - ( INSTAGRAM )

Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia José Renato Guaycuru San Martim. ( Fatec Pindamonhangaba)   

Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araujo de Pindamonhangaba/SP

Estudante Bacharel em Direito - Centro Universitário Santa Cecília ( UNIFASC )

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