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Com recomedações contas de 2025 da Câmara de Pindamonhangaba são aprovadas pelo TCESP

 

O veredicto de aprovação e a saúde financeira do legislativo

A aprovação das contas anuais da Mesa Direta da Câmara Municipal de Pindamonhangaba pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP) ocorreu acompanhada de recomendações formais para o aprimoramento da gestão administrativa. Relativo ao exercício financeiro de 2025, período sob a presidência do vereador Marco Aurélio de Souza Mayor, o balanço passou pelo crivo técnico da Corte de Contas paulista e obteve parecer favorável com quitação plena ao responsável, sob a relatoria do conselheiro Marco Aurélio Bertaiolli. Essa manifestação atesta o cumprimento de parâmetros formais previstos na legislação brasileira, indicando que os limites de gastos estabelecidos pelo texto constitucional foram formalmente respeitados. O relatório do tribunal demonstrou que a Edilidade utilizou 2,77% da receita tributária e de transferências para custear as atividades legislativas, mantendo-se abaixo do teto de 6% estipulado pelo artigo 29-A da Constituição Federal para municípios de sua faixa populacional. No mesmo sentido, as despesas totais com a folha de pagamento consumiram 52,47% dos recursos disponíveis, distanciando-se do limite máximo de 70% fixado em lei. Um ponto destacado nos demonstrativos foi a devolução de R$ 2.433.827,92 aos cofres da Prefeitura ao término do exercício de 2025, montante que corresponde a 10,85% do total repassado à Câmara no período. Embora tais números demonstrem conformidade com as exigências fiscais básicas e evitem sobrecarregar o orçamento municipal, eles refletem obrigações legais corriqueiras que qualquer gestor público tem o dever de cumprir.

O dilema das emendas impositivas: Entre a autonomia e a governança

Apesar da conformidade técnica nos índices globais, a auditoria realizada pelo TCESP evidenciou falhas operacionais e metodológicas na gestão das emendas parlamentares impositivas em Pindamonhangaba, motivando recomendações expressas de adequação. A implementação das emendas impositivas alterou a dinâmica orçamentária ao transformar verbas antes discricionatórias do Executivo em obrigações de execução por parte do Legislativo. Contudo, a equipe técnica do Tribunal e o Ministério Público de Contas (MPC) constataram deficiências na condução do mecanismo pela Casa, tais como o descumprimento de limites de reserva da Receita Corrente Líquida (RCL), a ausência de normatização regimental específica para o rito processual das emendas e a falta de planos de trabalho prévios com metas claras. Além disso, identificaram-se indícios de que a gestão dessas emendas favorecia a fragmentação excessiva de recursos, pulverizando investimentos em ações de menor impacto social estruturante. Em sua defesa, a Câmara alegou que adotou um modelo padronizado de plano de trabalho, buscou ampliar a transparência em seus canais eletrônicos e iniciou estudos para aprimorar sua governança em atendimento às diretrizes do próprio TCESP. Diante da relevância do tema e de discussões em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), o relator impôs recomendações formais para que a Casa discipline o rito das emendas, vincule os recursos a programas de governo estruturados e evite a pulverização financeira, corrigindo rumos que demonstravam fragilidade administrativa.

A estrutura de pessoal: Cargos comissionados em debate tecnocrático

Outro ponto de atrito na avaliação do Tribunal de Contas diz respeito à composição do quadro funcional da Câmara Municipal e ao volume de cargos em comissão. O relatório técnico apontou que 54,43% das vagas preenchidas no órgão eram ocupadas por cargos de livre nomeação e exoneração, totalizando 43 comissionados frente a 36 servidores efetivos concursados. O Ministério Público de Contas manifestou restrições a essa proporção, avaliando que a desproporção configurava afronta aos princípios constitucionais do concurso público e recomendando a adoção de providências corretivas. Em contrapartida, a defesa do Legislativo sustentou a regularidade da estrutura com base em estudo comparativo com o Painel de Dados do TCESP, argumentando que a despesa legislativa per capita de Pindamonhangaba (R$ 105,24) situa-se abaixo da média de dez municípios semelhantes (R$ 143,87). Apoiando-se em entendimentos adotados em julgamentos anteriores dos exercícios de 2023 e 2024, o relator acatou os argumentos da defesa, ponderando que a relação de 2,09 comissionados por vereador ficava abaixo da média regional de 2,23, o que autorizou afastar o apontamento sem deixar de expor a necessidade contínua de cautela com o crescimento da máquina administrativa.

Transparência Pública, Licitações e o caminho do aperfeiçoamento

O processo de fiscalização também examinou falhas pontuais ligadas à transparência ativa e à instrução de procedimentos licitatórios na Casa, gerando orientações para correções. Inicialmente, o Portal da Transparência exigia cadastro prévio com nome, CPF e e-mail dos cidadãos para o acesso aos dados de remuneração dos servidores, conduta que contrariava as diretrizes da Lei de Acesso à Informação. Após os apontamentos da fiscalização, a Câmara eliminou a exigência de identificação prévia, regularizando o acesso irrestrito às informações. No âmbito das contratações diretas, os auditores examinaram um processo de inexigibilidade de licitação voltado à elaboração de projetos de reforma dos gabinetes, apontando deficiências na demonstração da notória especialização da empresa e da inviabilidade de competição. Embora o relator tenha relevado a falha por não identificar prejuízos ao erário ou superfaturamento, destacou que a instrução do processo carecia de maior rigor técnico, exigindo observância estrita à Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021). Falhas operacionais no envio de dados ao sistema AUDESP também foram tratadas como imprecisões formais sanadas. Desse modo, a decisão final do TCESP conclui pela regularidade das contas, mas impõe um conjunto de recomendações que evidenciam a exigência de melhorias consistentes na governança e na eficiência institucional do Legislativo de Pindamonhangaba.


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Gustavo Felipe Cotta Tótaro - ( INSTAGRAM )

Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia José Renato Guaycuru San Martim. ( Fatec Pindamonhangaba)   

Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araújo de Pindamonhangaba/S

Estudante Bacharel em Direito - Centro Universitário Santa Cecília ( UNIFASC )

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