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Câmara de Pindamonhangaba reprovada: Mais de 60% dos participantes avaliam como “Ruim” em 2026




Em tempos de redes sociais, a cidadania encontrou um novo canal para se manifestar. Não se trata mais apenas de reclamar no balcão do bar ou no grupo de família. Hoje, milhares de pessoas se reúnem em espaços digitais para debater, cobrar e, sobretudo, avaliar o trabalho de quem foi eleito para representá-las. 

É exatamente isso que vem acontecendo no grupo Pinda Cidadã Mobilização Já!, uma das maiores comunidades online de Pindamonhangaba, com impressionantes 90 mil participantes. Recentemente, o grupo encerrou uma enquete importante: a avaliação da Câmara Municipal na gestão 2026. O prazo final foi no dia 14 de abril de 2026, e os números falam por si ainda que seja preciso lembrar: trata-se de uma enquete de opinião, espontânea, e não de uma pesquisa científica com metodologia rigorosa. Mesmo assim, ela funciona como um termômetro sincero do que parte da população ativa nas redes pensa sobre o Legislativo local.

 O quadro geral: mais insatisfação do que contentamento

Dos 4.330 votos registrados, o resultado é bastante claro e, para muitos, preocupante. A opção “Ruim” disparou com 2.722 votos, representando mais de 60% das manifestações. Em contraste, “Bom” recebeu 1.128 votos e “Regular”, apenas 480. 

Esses números revelam um sentimento de distanciamento. Quando mais da metade das pessoas que se dispuseram a opinar classifica o trabalho da Câmara como ruim, surge um sinal vermelho: há uma percepção de que o Legislativo não tem correspondido às expectativas da população. Seja pela falta de entregas concretas, pela postura dos vereadores ou pela dificuldade em dialogar com a cidade, o fato é que o descontentamento é majoritário.


Os contrastes individuais: nem todos são vistos da mesma forma

Embora a casa como um todo tenha sido duramente criticada, a análise individual dos vereadores mostra realidades bem diferentes dentro do plenário. Podemos separar os nomes em três grupos principais:

A exceção positiva  

A vereadora Ana Paula Goffi se destaca como o único nome com aprovação claramente majoritária. Foram 435 votos “Bom” contra apenas 64 “Ruim”. Sua performance sugere que ela conseguiu manter uma conexão mais forte com a base do grupo, seja por uma comunicação eficiente, seja pelo trabalho de base que vem realizando. Em meio a um mar de críticas, Ana Paula aparece como uma voz dissonante positiva.

O equilíbrio em meio à polarização  

Alguns vereadores conseguiram manter um saldo mais equilibrado, ainda que dentro de um cenário geral negativo. É o caso de Noberto Morais, que registrou 197 votos “Bom” contra 96 “Ruim”  um dos poucos com resultado positivo. Já Marco Mayor vive uma situação mais polarizadora: teve 215 votos positivos, mas sofreu 299 avaliações “Ruim”. Ele é, claramente, uma figura que divide opiniões.

O peso da rejeição 

A maior parte dos parlamentares, porém, enfrenta um cenário de forte reprovação. Vereadores como Gari Abençoado, Carlos Moura (Magrão) e Felipe César Filho (FC) acumularam mais de 300 votos “Ruim” cada, com pouquíssimos votos positivos. Nem mesmo os nomes ligados à educação, como o Professor Everton e o Professor Felipe Guimarães, escaparam da avaliação severa dos participantes.





 O “efeito caminhão” e o reflexo do Executivo

Outro ponto que chama atenção é a forte ligação entre a Câmara e o Poder Executivo, comandado por Ricardo Piorino e Rafael Goffi. A enquete sobre a gestão municipal, realizada entre 1º e 4 de abril com 606 votos, mostrou uma rejeição ainda mais dura: 90% “Ruim”, contra apenas 5% de aprovação. Em novembro de 2025, a rejeição já era alta (87%). Em poucos meses, a situação piorou.

Essa proximidade entre Legislativo e Executivo parece gerar um “efeito dominó”. Os vereadores que compõem a base de apoio do prefeito acabam absorvendo parte do desgaste da gestão. Quando o Executivo é visto com tanta insatisfação pela população  seja pelas filas nos postos de saúde, pelas ruas esburacadas ou pela falta de resultados visíveis , os parlamentares que o sustentam sem maior fiscalização também pagam o preço nas avaliações.

O resultado é um enfraquecimento da imagem do Legislativo como poder independente e fiscalizador. Em vez de ponte entre o povo e o Executivo, muitos vereadores são percebidos como parte do mesmo problema.

 Um chamado à reflexão

Mais do que números, esses dados representam vozes reais de cidadãos que resolveram se manifestar. No grupo Pinda Cidadã, a enquete não é apenas um exercício de clique: é um desabafo coletivo de quem quer ser ouvido.

Para os vereadores bem avaliados, o recado é de manutenção: continuar o trabalho que tem gerado confiança. Para a maioria, que enfrenta forte rejeição, o momento pede uma profunda autoavaliação. As demandas da população estão sendo ouvidas? A comunicação do mandato é clara e transparente? O que pode ser feito de diferente para reconectar o mandato com a cidade?

A transparência, como bem lembra o lema do grupo, continua sendo o caminho mais curto para uma cidade melhor. Em 2026, o cidadão de Pindamonhangaba está mais atento, mais conectado e menos disposto a aceitar o distanciamento entre quem governa e quem é governado.

A voz popular está ecoando nas redes. Resta saber se os vereadores  e a gestão como um todo  estão dispostos a escutá-la.

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Gustavo Felipe Cotta Tótaro - INSTAGRAM )

Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia José Renato Guaycuru San Martim. ( Fatec Pindamonhangaba)   

Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araújo de Pindamonhangaba/SP

Estudante Bacharel em Direito - Centro Universitário Santa Cecília ( UNIFASC ) 

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