Câmara de Vereadores Pinda aprova empréstimo de R$ 30 milhões; Pindamonhangaba pagará o dobro por projeto sem estudo técnico
A aprovação do Projeto de Lei Ordinária n.º 068/2026 pela Câmara de Vereadores de Pindamonhangaba marca o início de um endividamento que promete pesar nas contas públicas pela próxima década
A Votação: Quem deu o "Sim" ao Endividamento
A aprovação ocorreu na última sessão da Câmara de Vereadores, realizada no dia 31/03/2026. Em uma votação nominal , o projeto recebeu o aval da maioria, consolidando o compromisso financeiro do município.
Votaram FAVORÁVEL ao empréstimo de R$ 30 milhões:
Ana Paula Goffi
Carlos Moura - Magrão
Felipe César Filho - FC
Gari Abençoado
Gilson Nagrin
Professor Everton
Professor Felipe Guimarães
Renato Cebola
Rogério Ramos
O vereador Norberto Moraes foi o único voto CONTRÁRIO, enquanto o vereador Marco Mayor, na qualidade de Presidente, não votou. Com este resultado de 9 votos a 1, a prefeitura agora tem o caminho livre para vincular receitas fundamentais, como o ICMS e o futuro IBS, como garantia da dívida
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A Projeção do Pagamento: O Custo da Dívida em 10 Anos
A matemática por trás do empréstimo de R$ 30 milhões revela um cenário financeiro alarmante para os cofres de Pindamonhangaba, com uma projeção de pagamento que deve chegar ao dobro do capital principal. O contrato prevê uma taxa de juros nominal de 11,50% ao ano, somada à variação do IPCA, estimada em 4,50%
A Justificativa do Prefeito
O prefeito Ricardo Piorino justifica a contratação do crédito como uma medida estratégica e urgente para o fortalecimento da rede municipal de saúde, focando no "Complexo de Saúde Infantil Corujinha"
Falta de Planejamento
Um dos pontos mais críticos desta operação é a admissão de que os valores de R$ 30 milhões são apenas uma "estimativa preliminar" e que não há um projeto executivo finalizado ou orçamento detalhado
Inconsistências
A análise detalhada do parecer técnico revela lacunas profundas que comprometem a transparência da operação. Primeiramente, causa estranheza a alocação de R$ 19,5 milhões especificamente para "obras civis" em um cenário de total indefinição estrutural
Permuta de Imóveis com o INSS
Outro ponto que amplia o debate sobre o projeto é que a implantação do complexo de saúde está relacionada a uma permuta de imóveis realizada entre a Prefeitura de Pindamonhangaba e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão da administração municipal de realizar essa troca de imóveis foi divulgada no Diário Oficial da União em 22 de dezembro de 2023, e desde então tem gerado questionamentos sobre os custos envolvidos na operação.
De acordo com as informações divulgadas, a Prefeitura ofereceu como parte da negociação um imóvel localizado na Rua Japão, nº 631, avaliado em aproximadamente R$ 1,4 milhão. Mesmo com esse valor sendo utilizado na transação, a diferença financeira que o município ainda precisa assumir na operação é significativa. Isso ocorre porque, além da troca de imóveis, a Prefeitura também assumiu a responsabilidade pela construção de um novo prédio para a Agência da Previdência Social, com custo estimado em R$ 5,7 milhões. Dessa forma, a permuta não envolve apenas a troca direta de propriedades, mas também uma série de investimentos adicionais que acabam ampliando o impacto financeiro da operação para o município.
Reforma do prédio atual também gera custos
Além do custo da construção do novo prédio para o INSS, outro fator que preocupa é o estado do imóvel que será recebido pelo município na permuta. O prédio atualmente utilizado pela Previdência Social é uma estrutura antiga, que necessita de reformas e adaptações estruturais significativas para atender às necessidades de um novo equipamento público de saúde.
Isso significa que, além dos custos já previstos na permuta, a Prefeitura ainda deverá investir recursos adicionais para adequar o imóvel às exigências técnicas de funcionamento de um complexo médico infantil. Quando se somam todos esses fatores o valor do imóvel cedido pela Prefeitura, o custo da construção da nova agência da Previdência Social e as reformas necessárias no prédio do INSS surge um cenário que exige uma análise cuidadosa sobre a real viabilidade econômica da operação.
Opinão
Ao analisar a fundo o Projeto de Lei Ordinária n.º 068/2026 e o parecer técnico que o sustenta, sinto-me na obrigação de manifestar minha profunda preocupação com o rastro de endividamento que está sendo desenhado para Pindamonhangaba. É impossível não olhar para esse montante de R$ 30 milhões e não enxergar uma armadilha financeira camuflada sob o nobre pretexto da saúde infantil. Quando coloco na ponta do lápis os juros de 11,5% ao ano somados ao IPCA, vejo uma conta que vai saltar para mais de R$ 60 milhões em uma década, o que me faz questionar: como podemos aceitar pagar o preço de dois hospitais para entregar apenas um à população? Essa matemática me parece um desrespeito ao contribuinte, especialmente quando vejo que receitas fundamentais como o ICMS estão sendo dadas como garantia, hipotecando o futuro de ao menos três próximas gestões municipais.
O que mais me causa indignação é a fragilidade técnica desse "cheque em branco" assinado pela maioria dos vereadores na última sessão. Eu vejo um governo que pede milhões sem sequer saber se vai construir do zero ou reformar um prédio antigo, admitindo no próprio documento que os valores são apenas estimativas preliminares. Sinto falta de honestidade nos dados; onde estão os estudos de demanda real que provam que a rede atual não suporta o atendimento pediátrico? Sem números concretos de filas de espera ou saturação das UPAs, a palavra "demanda" vira apenas um escudo retórico para justificar um gasto que não foi planejado com rigor. Tenho o pressentimento de que estamos correndo o risco de erguer um "elefante branco", uma estrutura imponente que pode acabar ociosa ou sem verba para médicos e insumos, já que o empréstimo paga a "casca", mas não paga o funcionamento do hospital.
Além disso, considero a permuta com o INSS um verdadeiro exemplo de mau negócio. Não consigo entender a lógica de ceder um imóvel próprio, gastar quase R$ 6 milhões para construir uma nova sede para o governo federal e, em troca, receber uma estrutura velha que exigirá ainda mais milhões em reformas adaptativas. É uma triangulação de custos onde o município assume todos os riscos e dívidas bancárias, enquanto a União sai ilesa. Na minha visão, a saúde não deve ser usada de forma demagógica para aprovar urgências financeiras sem transparência. Eu acredito que investir na infância é prioridade absoluta, mas fazer isso através de um endividamento obscuro e tecnicamente vazio é um erro administrativo que Pindamonhangaba levará dez anos para pagar, sentindo o peso dessa conta em cada outra área da cidade que ficará desassistida para que os juros do "Corujinha" sejam quitados.
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Gustavo Felipe Cotta Tótaro - ( INSTAGRAM )
Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia José Renato Guaycuru San Martim. ( Fatec Pindamonhangaba)
Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araújo de Pindamonhangaba/SP
Estudante Bacharel em Direito - Centro Universitário Santa Cecília ( UNIFASC )

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