Pular para o conteúdo principal

Prefeitura se cala e Sabesp falha: Pindamonhangaba enfrenta crise de água em meio ao Calor Extremo

 


Pindamonhangaba vive um final de ano de contornos dramáticos. Desde o dia 24 de dezembro, moradores dos bairros Araretama e Moreira César enfrentam não simples oscilações no abastecimento, mas a ausência total de água, um serviço essencial à vida.

Enquanto a Sabesp se esconde atrás de canais de atendimento inoperantes, a Prefeitura de Pindamonhangaba permanece em absoluto silêncio, como se a cidade entrasse em recesso durante os feriados. Não entrou. A cidade continua viva, quente e vulnerável  e a população paga o preço da omissão.

Calor extremo sem água: Um risco real à vida

O Estado de São Paulo atravessa sucessivos recordes de temperatura. Sem água, o corpo humano perde sua principal forma de defesa contra o calor excessivo.

As consequências são graves e imediatas:

  • Hipertermia e insolação: quando a temperatura corporal ultrapassa os 40 °C, podendo causar danos cerebrais e falência de órgãos.

  • Crise renal aguda: a desidratação sobrecarrega os rins e pode gerar lesões irreversíveis.

  • Risco extremo para idosos: com o envelhecimento, o mecanismo da sede torna-se menos eficiente. Muitos idosos entram em desidratação severa sem sequer perceber. Sem água para hidratação e banhos refrescantes, aumentam drasticamente os riscos de confusão mental, paradas cardiorrespiratórias e óbitos.

Diante desse cenário, é inaceitável o silêncio da Secretaria de Desenvolvimento Rural Sustentável e Clima, que não emitiu alertas preventivos nem organizou um comitê de crise para enfrentar um evento climático e sanitário dessa magnitude.

A Prefeitura é corresponsável — e Deve Acionar a Arsesp

A privatização da Sabesp, concluída em julho de 2024, não concedeu à Prefeitura um salvo-conduto para a omissão. O Município de Pindamonhangaba continua sendo o titular do serviço de saneamento básico e, portanto, corresponsável pelos prejuízos causados à população.

Diante da falta de água em bairros inteiros, a Prefeitura tem a obrigação legal e administrativa de acionar imediatamente a Arsesp, comunicando formalmente os problemas gerados à população de Pinda e exigindo providências urgentes contra a prestadora de serviço.

Entre os deveres do Executivo municipal estão:

  • Notificar a Arsesp sobre o descumprimento contratual;

  • Cobrar explicações técnicas formais da Sabesp;

  • Aplicar sanções administrativas, quando cabíveis;

  • Informar a população, de forma transparente, sobre causas e prazos.

O silêncio institucional, neste contexto, configura omissão grave.

O Papel da Arsesp e a verdade sobre a redução de pressão

A Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) é responsável por regular, controlar e fiscalizar os serviços de abastecimento de água, esgoto e resíduos sólidos nos municípios paulistas que delegaram essas atribuições ao Estado, conforme o art. 241 da Constituição Federal.

Para cumprir esse papel, a Arsesp:

  • elabora normas e procedimentos do setor;

  • define regras de fiscalização técnico-operacional e comercial;

  • fiscaliza metas de cobertura, redução de perdas e obrigações contratuais;

  • e aplica sanções em caso de descumprimento.

É fundamental esclarecer um ponto central:
A Arsesp determinou à Sabesp a redução da pressão da água no período noturno, das 19h às 5h, como medida preventiva e temporária, exclusivamente para preservar os níveis dos reservatórios que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, que se encontra em estado de atenção devido às chuvas abaixo da média histórica.

A região do Vale do Paraíba, incluindo Pindamonhangaba, NÃO está incluída nessa determinação.

Durante o dia, das 5h às 19h, o abastecimento deveria ocorrer normalmente, respeitando os níveis de pressão definidos pela Agência.

Portanto, a falta total de água em Pindamonhangaba não pode ser justificada por essa medida, o que reforça ainda mais a necessidade de atuação imediata da Prefeitura junto à Arsesp.

Código de Defesa do Consumidor e Ministério Público

O fornecimento de água é um serviço essencial, regido pelo princípio da continuidade (art. 22 do Código de Defesa do Consumidor). A interrupção prolongada, sem justificativa técnica clara e sem plano de contingência  como caminhões-pipa para bairros críticos, hospitais e unidades de saúde  configura ato ilícito.

A população deve agir:

  • Denúncia coletiva ao Ministério Público, possibilitando Ação Civil Pública com multa diária;

  • Registros formais na Arsesp, fortalecendo a fiscalização.

📞 Canais da Arsesp para dúvidas e reclamações:
Telefone: 0800 77 16 883
Atendimento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h
Também é possível registrar reclamações por meio do formulário eletrônico da Agência.

CANAIS DE COMUNICAÇÃO ARSESP ( CLICAR AQUI )

Abandono político em pleno natal

Enquanto famílias não conseguem cozinhar, manter a higiene básica ou enfrentar o calor extremo de dezembro, parte da classe política parece em recesso de responsabilidade.

Pindamonhangaba não pode esperar o Ano Novo para ter acesso ao básico.

A população exige:

  • explicações técnicas objetivas da Sabesp;

  • prazos reais, públicos e fiscalizáveis;

  • e que a Prefeitura de Pindamonhangaba acione imediatamente a Arsesp, cumpra seu papel de fiscalizadora e puna o descaso com a saúde pública.

Água não é favor.
É direito, é saúde e é dignidade.


QUADRO DE AVISOS WHATSAPP - PARTICIPE


Gustavo Felipe Cotta Tótaro - ( INSTAGRAM )

Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia José Renato Guaycuru San Martim. ( Fatec Pindamonhangaba)   

Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araujo de Pindamonhangaba/SP

Estudante Bacharel em Direito - Centro Universitário Santa Cecília ( UNIFASC )

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RISCO MÁXIMO EM PINDA: O TCE-SP alerta a dois meses do fim do primeiro ano de Ricardo Piorino.

  Risco Máximo em Pindamonhangaba: O TCE-SP Alerta a Dois Meses do Fim do Primeiro Ano de Ricardo Piorino O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) soltou um alerta de peso contra a gestão do prefeito Ricardo Alberto Pereira Piorino , a apenas dois meses de ele completar seu primeiro ano de mandato. A notificação, datada de 02/10/2025, não é apenas um aviso: é um sinal de que as contas de Pindamonhangaba estão fora de controle, violando leis federais e podendo levar a punições severas, incluindo a perda do mandato. Os números apresentados pelo TCE demonstram uma péssima administração . A situação não se resume apenas à baixa arrecadação pontual. Ela reflete a continuidade de um grupo político que, ao longo do tempo, tem levado Pindamonhangaba a patamares de rombo nas contas públicas jamais alcançados . O relatório é a prova de que a falta de planejamento e os gastos no passado sem critérios , sem pensar no futuro da cidade, estão resultando em uma crise fiscal profund...

Prefeitura de Pindamonhangaba decreta emergência em saúde pública.

  Hoje, a Prefeitura de Pindamonhangaba publicou o Decreto nº 6.870 , que declara Situação de Emergência em Saúde Pública no município. O documento foi assinado pelo prefeito Ricardo Piorino e tem validade de 180 dias. A decisão se deu após o aumento expressivo de atendimentos por doenças respiratórias graves em unidades de saúde da cidade e da região. Apesar da gravidade da situação, a Prefeitura não realizou coletiva de imprensa, não apresentou o relatório técnico que embasa a medida e não comunicou à população como se prevenir ou proceder em caso de sintomas . Até agora, a única ação visível foi a publicação discreta do decreto. O aumento de casos está associado à circulação de vários vírus respiratórios, identificados principalmente em crianças internadas: SARS-CoV-2 (Covid-19): Pode causar febre, tosse, fadiga, e em casos graves, insuficiência respiratória. Vírus Sincicial Respiratório (VSR): Afeta principalmente bebês e crianças pequenas, podendo evoluir para bronqui...

Moradores de Pinda vão pagar taxa para entrar em Campos do Jordão

 A aprovação por unanimidade da Taxa de Preservação Ambiental (TPAM) pela Câmara Municipal de Campos do Jordão, nesta segunda-feira (25), representa mais um capítulo na crescente tensão entre municípios vizinhos do Vale do Paraíba. O Projeto de Lei Complementar nº 32/2025, que estabelece cobrança diária para veículos licenciados fora da cidade, impactará diretamente os moradores de Pindamonhangaba, evidenciando uma preocupante falta de articulação política regional. Uma decisão que ignora laços históricos A medida aprovada pelos 12 vereadores presentes demonstra uma visão míope que desconsidera os profundos vínculos históricos entre as duas cidades. Campos do Jordão foi literalmente defendida por pindamonhangabenses em momentos cruciais de sua história, e essa conexão vai muito além de simples proximidade geográfica. A exclusão de Pindamonhangaba da lista de cidades isentas que contempla Santo Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, Piranguçu, Brasópolis e Wenceslau Brás represent...