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Omisso e Ausente: Prefeitura de Pinda ignora agonia de 400 famílias na Gerdau

 



O cenário de instabilidade na unidade da Gerdau em Pindamonhangaba não é uma novidade de última hora, mas sim o desenlace de um processo que se arrasta sob o olhar passivo da administração municipal. Em 15 de setembro de 2025, a cidade foi sacudida pelo anúncio do fechamento do setor de cilindros, colocando em risco imediato a subsistência de 400 famílias. Naquele momento, enquanto os operários ocupavam as calçadas em uma greve por tempo indeterminado, esperava-se que o Palácio de Cristal assumisse seu protagonismo político. No entanto, o que se viu foi um governo que prefere colher os louros de novas instalações industriais, mas que se retira estrategicamente de cena quando o desafio é manter o que já existe. A narrativa de que se trata de uma "questão entre empresa e sindicato" é uma falácia administrativa, pois o impacto socioeconômico de 400 demissões transborda os portões da fábrica e atinge diretamente o comércio, a arrecadação e o bem-estar social de toda a Pindamonhangaba, exigindo uma postura de liderança que o atual grupo político parece desconhecer, preferindo o silêncio à defesa do trabalhador.


A persistência do Sindicato dos Metalúrgicos rendeu frutos importantes em 4 de novembro de 2025, quando uma nova etapa de negociações garantiu a sobrevida do setor até fevereiro de 2026. A entrada de novos pedidos de grandes clientes, como a Novelis, provou por A mais B que o setor de cilindros ainda possuía demanda e relevância de mercado. Graças exclusivamente à pressão dos trabalhadores e à habilidade de negociação sindical, o impacto das demissões foi reduzido pela metade, com remanejamentos internos e a criação de programas de demissão incentivada (PDI/PDV) com pacotes de benefícios robustos. Contudo, esse período de "respiro" serviu apenas para evidenciar ainda mais a ausência de uma política industrial municipal. Enquanto o sindicato lutava para garantir que ninguém saísse de mãos vazias, a Prefeitura não apresentou um único plano de contrapartida fiscal ou uma articulação estratégica que pudesse converter esse fôlego temporário em uma solução definitiva. O sucesso daquela etapa foi um triunfo do chão de fábrica, conquistado apesar do vácuo deixado pela gestão municipal, que assistia a tudo à distância segura da neutralidade, sem mover uma palha para consolidar esses empregos.

É inegável que a indústria nacional do aço enfrenta um gigante: estudos apontam que o aço chinês chega ao Brasil custando até 50% menos que o produto interno, uma prática de dumping que configura concorrência desleal e força a paralisação de altos-fornos em todo o país. Diante de um desafio global dessa magnitude, a omissão da Prefeitura de Pindamonhangaba torna-se ainda mais imperdoável. A cidade possui um trunfo político raríssimo: um representante ilustre em um dos cargos mais altos do país, Geraldo Alckmin, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). É estarrecedor que, com um interlocutor direto que frequenta as padarias da cidade e conhece a rotina local, a Prefeitura não tenha conseguido ser a ponte necessária para sensibilizá-lo e propor soluções administrativas  que protegessem a planta local. Se nem a proximidade pessoal e política com o alto escalão de Brasília foi utilizada para salvar 400 postos de trabalho, fica claro que a gestão municipal falhou miseravelmente em sua função de articuladora, demonstrando uma falta de prestígio ou de vontade política que custará caro ao futuro industrial do município.


A reunião realizada nesta terça-feira pelo Sindicato dos Metalúrgicos, 24 de março de 2026, selou o destino da área de Forjados e escancarou a face mais amarga dessa crise. O discurso corporativo que se escuda apenas na crise do aço importado esconde falhas de gestão interna e a falta de investimentos em equipamentos que os próprios trabalhadores denunciavam como ultrapassados. Vivemos em uma era onde o grupo político no poder parece mais preocupado em alimentar algoritmos de redes sociais com conteúdos de entretenimento e "boas notícias" superficiais do que em enfrentar os problemas estruturais que corroem a economia real. O papel de um prefeito vai muito além de postar vídeos editados; envolve sentar-se à mesa com multinacionais e exigir responsabilidade social em troca de anos de incentivos. Ao cruzar os braços e ignorar , o governo municipal confessa que seu compromisso com o emprego é meramente estético. Pindamonhangaba não precisa de gestores que se comportam como influenciadores digitais, mas de líderes que entendam que cada demissão na Gerdau representa uma derrota para a cidade que eles juraram defender.





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Gustavo Felipe Cotta Tótaro - ( INSTAGRAM )

Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia José Renato Guaycuru San Martim. ( Fatec Pindamonhangaba)   

Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araújo de Pindamonhangaba/SP

Estudante Bacharel em Direito - Centro Universitário Santa Cecília ( UNIFASC )

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