Câmara aprova mudança no subsídio do transporte, mas sem teto orçamentário e com poucas garantias de transparência
Na sessão ordinária do dia 2 de junho de 2026, a Câmara de Vereadores de Pindamonhangaba aprovou o Projeto de Lei Ordinária nº 131/2026, de autoria do Executivo. A proposta altera a Lei nº 6.714/2023, que desde 2023 regula a subvenção econômica (subsídio) ao transporte público coletivo da cidade.
O transporte coletivo é um serviço essencial para milhares de pindamonhangabenses que dependem dele diariamente para ir ao trabalho, à escola ou ao médico. Desde a lei de 2023, o município vem destinando recursos públicos para manter a tarifa acessível à população e garantir o equilíbrio financeiro da concessionária. A última atualização dessa lei, feita pela Lei 7.068/2026, fixou o subsídio em R$ 3,82 por passageiro com bilhete eletrônico e R$ 2,82 para pagamento em dinheiro, com um teto máximo de R$ 1,1 milhão por mês.
O que muda com a aprovação do PL 131/2026
Com a aprovação do novo projeto, o modelo de valores fixos por passageiro foi substituído por um sistema mais técnico e flexível. A partir de agora, o subsídio corresponderá à diferença entre a tarifa paga pelo usuário e a tarifa técnica de remuneração da empresa, calculada por meio de estudo técnico que levará em conta custos operacionais comprovados, número de passageiros, quilometragem percorrida e indicadores de eficiência.
O grande ponto de preocupação é que o teto mensal de R$ 1,1 milhão foi retirado. O repasse continuará sendo mensal e deverá respeitar a Lei Orçamentária Anual, mas sem um limite objetivo definido em lei, ficando muito mais sujeito à definição do Executivo por decreto.
A emenda rejeitada e o voto solitário
Durante a tramitação, a vereadora Ana Paula Goffi apresentou a Emenda Aditiva nº 006/2026, que propunha o envio, a cada quatro meses, de um relatório à Câmara contendo dados financeiros da subvenção e indicadores operacionais do serviço (como pontualidade, quantidade de passageiros e falhas na frota). O objetivo era dar ao Legislativo condições mínimas de fiscalizar o uso do dinheiro público.
A emenda foi rejeitada por 6 votos contra e 4 a favor. Em seguida, o projeto principal foi votado e aprovado, com Ana Paula Goffi sendo a única vereadora a votar contra, justamente por entender que a proposta não trouxe garantias suficientes de transparência na aplicação dos recursos.
Preocupações com o contrato irregular
Essa aprovação ganha ainda mais peso porque o contrato de concessão do transporte coletivo já foi declarado irregular pelo Tribunal de Contas. No processo TC 00018618.989.23-0, o TC apontou irregularidades na Concorrência Pública nº 003/2019 e no contrato firmado em dezembro de 2022, que tem valor estimado acima de R$ 142 milhões e duração de 15 anos.
Recentemente, no dia 22 de junho de 2026, a empresa teve seu pedido rejeitado nos Embargos de Declaração (processo TC-007821.989.26-6). A concessionária pleiteava a nulidade dos atos processuais por falta de intimação pessoal, mas o Tribunal rejeitou tanto a questão formal quanto o mérito dos embargos, mantendo a decisão anterior.
Minha Opinião
É preocupante ver a Câmara aprovar uma mudança tão significativa sem colocar freios mais efetivos. Retirar o teto orçamentário e não garantir mecanismos mínimos de transparência é um erro grave. Estamos falando de dinheiro do contribuinte sendo direcionado a um contrato que o Tribunal de Contas já considerou irregular e agora, com ainda mais flexibilidade e menos controle.
Circulam relatos de que a empresa vai disponibilizar mais 15 ônibus novos com ar-condicionado. No entanto, isso já deveria estar acontecendo desde o início do contrato, como obrigação contratual, e não como uma “gentileza” condicionada a novos subsídios da Prefeitura. A proposta dessa lei não era um empecilho para que esses ônibus já estivessem rodando. Pelo contrário, as emendas apresentadas não barravam em nada o funcionamento do sistema de transporte público na verdade, elas fortaleciam a participação popular e o controle sobre o serviço que a população recebe.
Infelizmente, a maioria dos vereadores preferiu dar um “cheque em branco” ao Executivo e à concessionária, ignorando o risco real de o subsídio disparar e comprometer verbas de áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura. A população merecia mais responsabilidade e mais transparência.
Espero que, na prática, o Executivo comprove que essa mudança foi para melhor e não apenas para facilitar repasses maiores sem prestar contas. Caso contrário, essa decisão pode custar caro para todos nós.
Prefeito propõe mudança na lei de subsídio do transporte coletivo em Pindamonhangaba
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Gustavo Felipe Cotta Tótaro - ( INSTAGRAM )
Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia José Renato Guaycuru San Martim. ( Fatec Pindamonhangaba)
Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araújo de Pindamonhangaba/SP
Estudante Bacharel em Direito - Centro Universitário Santa Cecília ( UNIFASC )
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