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Pinda: R$ 61 Milhões em Licitações de câmeras e esquece a Atividade Delegada

 



Você já parou para pensar em quem nos protege quando os "olhos de vidro" das câmeras de segurança registram um crime? Pindamonhangaba vive hoje um verdadeiro nó na segurança pública: de um lado, anúncios de grandes licitações que passam dos R$ 61 milhões em monitoramento eletrônico; do outro, uma proposta que esvazia a presença de policiais nas calçadas por meio da redução da nossa conhecida Atividade Delegada.

A tecnologia é importante, mas o morador de Pinda sabe muito bem que uma câmera com inteligência artificial não substitui a presença de um policial fardado na rua para inibir um assalto, mediar uma briga ou trazer de volta aquela sensação real de segurança.

Hoje, a prefeitura já conta com aproximadamente 1.500 câmeras de monitoramento espalhadas pela cidade, integradas ao Centro de Segurança Integrada (CSI). Apesar disso, a persistência de crimes violentos e a sensação de insegurança geram questionamentos severos sobre a efetividade real dessa infraestrutura digital, pois estamos vendo, a cada mês, os índices de criminalidade aumentando e assustando a população.

A conta dos milhões: Onde está indo o nosso dinheiro?

Se dermos uma olhada no Portal da Transparência do município, os números impressionam. No total, a prefeitura destinou R$ 61.135.026,48 para sistemas de segurança eletrônica, divididos em dois grandes contratos:

  • Edital de Pregão Eletrônico nº 19/2026 (R$ 42,6 milhões): Contrato de 60 meses em regime de comodato para câmeras (CFTV), alarmes e suporte 24 horas em prédios públicos da administração.

  • Edital de Fevereiro de 2026 (R$ 18,5 milhões): Sistema de videomonitoramento inteligente para o entorno das escolas municipais, com reconhecimento facial e leitura de placas (LPR).

O problema escondido nos detalhes: O sistema de câmeras funciona de forma reativa. Ou seja, as lentes gravam tudo,porém o sistema depende do disparo de um alarme para chamar a atenção. Na prática, a tecnologia registra o crime em alta definição, mas falha em impedir que ele aconteça por falta de policiais no local.

Menos Homens na Rua: O estrangulamento da Atividade Delegada

Enquanto os milhões sobram para os contratos corporativos de tecnologia, a Atividade Delegada  lei criada em 2011 que paga os policiais militares para trabalharem na cidade em seus dias de folga está sofrendo um processo de desidratação.

O prefeito Ricardo Piorino enviou à Câmara o Projeto de Lei Ordinária nº 060/2026 pedindo urgência para atualizar a gratificação dos policiais (mudando o indexador da UFMP para a UFESP). O aumento da hora de trabalho para Soldados e Cabos (de R$ 33,14 para R$ 46,10) é totalmente justo e valoriza o profissional.

A armadilha está no bolso da prefeitura: para dar esse aumento sem gastar um centavo a mais do teto anual de aproximadamente R$ 1,6 milhão, o município propôs um corte drástico no número de policiais trabalhando por dia:

Posto / PatrulhaEfetivo Diário AntigoProposta da Prefeitura
Oficiais6 profissionaisApenas 1
Subtenentes e Sargentos10 profissionaisApenas 2
Soldados e Cabos13 patrulheirosApenas 11

Prefeito quer reduzir policiais da Atividade Delegada nas ruas de Pindamonhangaba

Câmara de Vereadores de Pinda aprova a redução de policiais para a Atividade Delegada

A Conversão: Quantos policiais daria para pagar?

Se trocássemos os R$ 61,1 milhões das câmeras por policiamento humano nas ruas, a realidade de Pindamonhangaba seria completamente diferente. Com a tarifa atual de R$ 33,14, esse dinheiro pagaria mais de 1,8 milhão de horas de trabalho.

Mesmo considerando o reajuste proposto para R$ 46,10, o valor dos contratos de monitoramento daria para financiar 1,3 milhão de horas de patrulhamento de rua. Vamos trazer isso para a realidade prática de plantões de 8 horas ao longo de 5 anos:


Com o dinheiro das telas, o município teria condições de colocar mais de 90 policiais extras todos os dias nas ruas ao longo de cinco anos (ou mais de 126 homens por dia na tarifa atual). Isso seria suficiente para cobrir permanentemente todos os bairros periféricos e centros comerciais da nossa cidade.

Propaganda vs. Vida Real nos Bairros

A prefeitura costuma divulgar dados antigos ou parciais para tentar justificar o investimento no monitoramento tecnológico, como uma queda de 16% nos homicídios nos primeiros sete meses de 2025 comparado a 2024. Mas o otimismo oficial contrasta com a realidade prática das ruas. O Vale do Paraíba continua sendo classificado como uma das regiões mais violentas do estado, e Pinda figura rotineiramente nos postos mais incômodos desse ranking criminal regional.

A criminalidade real da nossa cidade acontece na noite, ao redor de adegas, bares e aglomerações, com perturbação de sossego, pequenos tráficos locais e conflitos interpessoais após as 23 horas. Nenhuma inteligência artificial consegue mediar conflitos ou dispersar uma aglomeração barulhenta; isso exige a presença física e o diálogo do policial de carne e osso.

O maior exemplo disso foi a recente crise no distrito de Moreira César, que tem mais de 40 mil moradores. Quando a Base Comunitária correu o risco de fechar por falta de contingente interno, a prefeitura teve que correr para assumir a zeladoria do prédio. O motivo? Liberar os policiais militares do trabalho burocrático para fazer o que mais importa: o policiamento ostensivo nas ruas. Ficou provado ali que segurança de verdade se faz com presença comunitária, e não vigiando a distância de uma sala cheia de telas.

O futuro da segurança urbana: O equilíbrio necessário

Modernizar a cidade com tecnologia é bom e necessário, mas não pode significar o abandono do patrulhamento humano. Uma gestão eficiente de verdade deve enxugar gastos burocráticos para garantir que o dinheiro chegue na ponta: nas ruas policiadas, nas viaturas circulando e no policial atuando perto da comunidade.

Se a prefeitura continuar expandindo as lentes digitais com novas licitações milionárias enquanto corta o orçamento que mantém os homens nas ruas, Pindamonhangaba continuará assistindo, em altíssima definição, a crimes que a tecnologia consegue filmar, mas nunca terá os braços necessários para deter.


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Gustavo Felipe Cotta Tótaro - ( INSTAGRAM )

Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia José Renato Guaycuru San Martim. ( Fatec Pindamonhangaba)   

Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araújo de Pindamonhangaba/SP

Estudante Bacharel em Direito - Centro Universitário Santa Cecília ( UNIFASC ) 

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