Enquanto o povo brasileiro batalha para sobreviver com um salário mínimo de R$ 1.518, a Câmara de Vereadores de Pindamonhangaba aprovou um reajuste no valor da cesta básica fornecida aos seus servidores e estagiários que levanta sérias dúvidas sobre bom senso e equilíbrio na administração dos recursos públicos.
O valor do benefício, que antes era de 5 Unidades Fiscais do Município (UFMP), saltou para 10 UFMP. Como cada unidade equivale a R$ 130,00, o crédito mensal subiu de R$ 650,00 para R$ 1.300,00, representando um aumento de 100%. Isso significa que um servidor da Câmara recebe quase um salário mínimo apenas em vale-cesta — um valor que, na prática, supera o que muitos trabalhadores ganham mensalmente no país.
A justificativa para o aumento se baseia na inflação acumulada entre 2021 e 2024, e no aumento do preço da cesta básica na região do Vale do Paraíba, que chegou a 26,44%. No entanto, o reajuste ultrapassa em mais de 73% esse índice, configurando um aumento muito acima da realidade econômica regional.
Vale lembrar que a Câmara Municipal não é um órgão arrecadador, mas sim uma estrutura mantida com recursos repassados pelo Poder Executivo. Todo o dinheiro que sobra ao final do ano — caso não seja gasto — volta ao orçamento do município, podendo ser investido em áreas como saúde, educação e infraestrutura. Quando a Câmara amplia seus próprios gastos com benefícios internos, ela retira da população a chance de ver esse dinheiro ser melhor utilizado.
A folha de pagamento da Câmara já é considerada elevada em relação ao porte da cidade. Mesmo assim, optou-se por ampliar um benefício que, para muitos, se tornou praticamente um segundo salário. A medida gerou críticas e levantou questionamentos sobre a falta de sensibilidade da Mesa Diretora frente à realidade vivida pela maioria dos cidadãos.
A máquina pública não pode existir para beneficiar poucos, nem servir de espaço para conforto e privilégios. Ela precisa ser administrada com responsabilidade, justiça e equilíbrio, buscando sempre o interesse público. Valorizar o servidor é necessário, mas é preciso manter os pés no chão e compreender que a política é uma ferramenta para melhorar a vida de todos — não apenas de quem está dentro do poder.
A pergunta que permanece é direta: a quem está servindo a Câmara de Pindamonhangaba?
Tecnólogo Gestão de Negócios e Inovação - Faculdade de Tecnologia de Pindamonhangaba/SP
Técnico em Contabilidade - Escola Técnica João Gomes de Araujo de Pindamonhangaba/SP

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